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Promovido pela FAPESP, o workshop on-line “Resultados Preliminares do Projeto Conexão Mata Atlântica FAPESP-GEF-SIMA” apresentou, na manhã do dia 11 de agosto, dados e informações de pesquisas em andamento no âmbito do Projeto Conexão Mata Atlântica. Os levantamentos, realizados em projetos selecionados na primeira Chamada de Propostas FAPESP e Global Environment Facility (GEF), poderão auxiliar na elaboração de projetos para a nova Chamada, que já está aberta.

O mediador do debate e Coordenador do Programa BIOTA/FAPESP, Carlos Joly, apresentou o Projeto Conexão Mata Atlântica e falou sobre a escolha da região para atuação. “O Vale do Paraíba é um território onde tivemos um processo de desenvolvimento muito grande e é uma área bastante alterada pela presença humana. Por isso, foi tão interessante desenvolver um projeto que olhasse para os fragmentos de mata atlântica e para as possibilidades de restaurar a vegetação nativa, reconectando fragmentos, protegendo recursos hídricos, estocando carbono e aumentando a capacidade de conservação de biodiversidade na região”, explicou.

Jean Ometto, Membro da Coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), destacou a relevância das ações conjuntas que a FAPESP vem empreendendo nos programas, em particular o BIOTA. “Essas ações se alinham bastante à urgência do desenvolvimento científico integrado e interdisciplinar. Em particular, na busca de soluções relativas aos sistemas sociais e naturais frente a esse universo de mudanças climáticas e os enormes impactos que estamos enfrentando”, apontou Ometto.

Coordenadora de Ciência para Serviços Ecossistêmicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Cláudia Czarneski, explicou que o Projeto Conexão Mata Atlântica tem sido levado como prioritário dentro do MCTI e está sob responsabilidade da coordenação de Ciência para a Biodiversidade. “O projeto pretende produzir benefícios especialmente no que tange à captura e manutenção dos estoques de carbono relacionados ao uso da terra, mudança do uso do solo e silvicultura, e da biodiversidade”, pontuou Cláudia.

“Chamo a atenção para os instrumentos pelos quais o projeto está sendo implementado, que são o pagamento por serviços ambientais, o apoio à certificação e a cadeias de valor sustentável, e, ainda a melhoria da gestão de unidades de conservação”, explicou a Engenheira Agrônoma e Mestre pela ESALQ/USP, Helena Carrascosa, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente.

Já Claudete Hahn, também da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, falou sobre os aspectos econômicos do projeto, em que são privilegiadas cadeias com espécies nativas. “Teremos forte incremento na produção de frutas da região e produtos de abelhas nativas”, contou. “Outra questão inovadora para todo o país é a certificação florestal para a Mata Atlântica, que pode se tornar um case de sucesso e ser replicado em outras regiões do país”, completou.

A doutora Kátia Ferraz, professora da Esalq, apresentou os componentes que sustentam os serviços ecossistêmicos por meio dos padrões de diversidade biológica e da coexistência humano-fauna. “Ao final do projeto planejamos fornecer recomendações para políticas públicas que minimizem os conflitos e ameaças e maximizem a conservação da biodiversidade e a coexistência entre humanos e fauna local”.

A doutora Maria Tereza Vilela Nogueira Abdo, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e pesquisadora da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) falou sobre a avaliação de crescimento e produção de espécies florestais nativa e culturas. “O projeto trabalha sobre dois grandes eixos, que são o aumento da biodiversidade e conectividades dos fragmentos de vegetação nativa de Mata Atlântica na região e valoração dos serviços ecossistêmicos gerados nesses novos cenários”, informou Maria Tereza.

“O projeto está trazendo como resultado um crescimento da rede de conhecimento local, com trocas de sementes, mudas e experiências entre as diferentes áreas participantes”, ressaltou Isabel Fonseca Barcelos, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, sobre o fortalecimento das redes locais.

Laura Borba, pesquisadora do INPE, abordou a evolução dos serviços ecossistêmicos e regeneração florestal da Mata Atlântica na Serra do Mar e da Mantiqueira. “É importante falar sobre a influência do projeto na mudança da cobertura da terra sobre a questão hídrica, que favorece a recarga de aquíferos e o abastecimento dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos”, afirmou a pesquisadora.

Por fim, o professor Wilson Cabral de Souza, do ITA, e coordenador do projeto ELOS apresentou o objetivo geral de promover um estudo das relações dose-resposta à governança dos serviços ecossistêmicos de restauração e conservação de florestas com foco nas temáticas de solo/água,retenção de carbono,biodiversidade e socioculturais. “Boa parte das atividades programadas até dezembro desse ano estão concentradas no desenvolvimento/avaliação de modelos nesse momento e postergando as atividades de campo devido às restrições em decorrência da pandemia”, concluiu o coordenador.

A segunda Chamada de Propostas FAPESP e Global Environment Facility (GEF)  está aberta. Mais informações podem ser obtidas em https://fapesp.br/14963/nova-chamada-de-propostas-fapesp-e-global-environment-facility-gef

Para assistir a íntegra do workshop, clique aqui: https://youtu.be/hSp-UFXAuo4